Archive for Agosto 2010

Essa música retrata muito bem o mundo de ontem e hoje. Os costumes mudam com o tempo, mas as pessoas, não!

Índios
Legião Urbana
Composição: Renato Russo

Quem me dera
Ao menos uma vez
Ter de volta todo o ouro
Que entreguei a quem
Conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora
Até o que eu não tinha

Quem me dera
Ao menos uma vez
Esquecer que acreditei
Que era por brincadeira
Que se cortava sempre
Um pano-de-chão
De linho nobre e pura seda

Quem me dera
Ao menos uma vez
Explicar o que ninguém
Consegue entender
Que o que aconteceu
Ainda está por vir
E o futuro não é mais
Como era antigamente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Provar que quem tem mais
Do que precisa ter
Quase sempre se convence
Que não tem o bastante
Fala demais
Por não ter nada a dizer.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Entender como um só Deus
Ao mesmo tempo é três
Esse mesmo Deus
Foi morto por vocês
Sua maldade, então
Deixaram Deus tão triste.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!
Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura do meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Acreditar por um instante
Em tudo que existe
E acreditar
Que o mundo é perfeito
Que todas as pessoas
São felizes…

Quem me dera
Ao menos uma vez
Fazer com que o mundo
Saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz
Ao menos, obrigado.

Quem me dera
Ao menos uma vez
Como a mais bela tribo
Dos mais belos índios
Não ser atacado
Por ser inocente.

Eu quis o perigo
E até sangrei sozinho
Entenda!

Assim pude trazer
Você de volta pra mim
Quando descobri
Que é sempre só você
Que me entende
Do início ao fim.

E é só você que tem
A cura pro meu vício
De insistir nessa saudade
Que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Nos deram espelhos
E vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui.

Por vezes me pego querendo escrever, sei lá, talvez para desabafar algo que nem faz sentido falar. Talvez pressionada pelo olhar crítico de toda uma sociedade crítica, não escreva mais.

A desilusão de um mundo que imaginava enfrentar está a cada dia mais me deixando frustrada, na verdade o mundo, formado por pessoas, me desapontam demais. Só é possível confiar nos nossos pais, e ainda com ressalvas aos pais que nos abandonam, mesmo sendo nós ainda bebês. Amigos? Onde estão? Quem são? Como deveriam agir? É uma raça em extinção, que não se encontra em lugar algum. E nem adianta procurar muito, senão você pode encontrar, no máximo, um colega de trabalho ou de escola oportunista.

A única conclusão que chego de tudo isso, é que o individualismo, causado pelo gelo, já tomou conta de quase 100% do coração. Pra quê me preocupar com os outros? Quem disse que preciso fazer esse esforço? Deus disse isso! Mas quem é Deus? No que ele pode me favorecer? Se for me dar algo, eu quero me achegar a esse Deus. Infelizmente as igrejas estão lotadas de pessoas que pensam dessa forma, e não importa a religião, importa a vantagem que tenho se fizer tal coisa.

Enfim, tudo se resume a dinheiro, status, ser ovacionado pelas outras pessoas, que na verdade você nem se importa se estão bem, só se estão te seguindo no twitter ou dando RT de um de seus posts. Aliás, as redes sociais são os novos vírus dessa geração, e os sintomas dessa doença são individualismo exacerbado, esfriamento do contato físico, incompreensão das falhas humanas, paciência inexistente e uma autoestima altíssima, dependendo do número de seguidores e amigos no orkut.

Por vezes meu comportamento é totalmente web 3.0 e outros dias incorporo a geração babyboom, até porque venho da geração X, que nasceu sem computador e cresceu precisando dessa máquina que, mesmo sendo tão útil, traz a internet que nos levou ao caos que hoje se instalou.

Posso estar exagerando intitulando essa geração como caos, mas hoje estou assim, down e preciso encontrar um culpado. Se não tenho GPS ou Wi-Fi no meu celular, estou alienada, se não acesso a internet todos os dias, pertenço às cavernas, se não conheço ou não sei manipular um iPhone, estou na era jurássica. Não sei se quero esse mundo pra viver, mas não tenho escolha…