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Gostei  tanto deste artigo e não me contive. Preciso publicar aqui! Acredito que o mercado só irá evoluir quando todos agirem assim, porque é preciso valorizar o que se deve.

Meus parabéns a Saulo Mileti, autor deste artigo!

Raramente entro em discussões sobre essa putrefação estética e principalmente econômica do mercado gráfico. Na verdade, quando alguém reage de forma ensaiada a um orçamento do meu escritório – “mas tem um site / designer que me cobra R$500,00 pra fazer um logo” – eu incentivo.

“- Poxa, então fecha com eles e aproveite a oportunidade”.

Faço isso basicamente porque este não é o cliente que meu escritório quer atender.
E não se trata de dinheiro, mas da atitude e do posicionamento que ele adota.

Para mim é importante identificar e separar os clientes entre os que tenho bom relacionamento e sinergia dos que não tenho. E dessa forma garantir (para ambos) que trabalharei com um nível de satisfação altíssimo. E não só pela quantidade de Krugs que esse cliente poderá colocar na minha adega. A equação é muito simples: você não pode evoluir a qualidade dos seus projetos se trabalhar para um cliente que não está pronto para te acompanhar, trocando experiências e encontrando novos caminhos.

Mas é aqui que muitas agências e escritórios de design caem naquela gruta chamada ambição. Quanto mais, melhor! E muitas, muitas vezes essa agência tem até histórico com determinado cliente e SABE que será um problema. Mas a grana é boa… Paga em dia… E quem vai passar noites em claro é o pessoal da criação, do planejamento e da finalização. Fazem de tudo para ganhar / Tocam cornetinha quando assinam o contrato / E depois todos trabalham se arrastando, sem o menor tesão em entregar aquilo que foi prometido.

Sabe? O prometido? Aquela intenção de inovar e promover o lúdico de forma sustentável pelas ações diferenciadas? Coisa de agência 360ª, antenada e integrada? Pronta pra entender como a crossmedia pode oferecer algo único pra geração y, que está com o controle remoto na mão e mostra toda sua atitude nas mídias sociais.

Uma salva de palmas que eu gorfei.

Mais do que honestidade, falta dignidade. Pois se vender para um cliente inadequado custa caro pra sua empresa: fama de senzala, perda de bons profissionais e boas idéias. Vão vestir sua camisa exclusivamente por dinheiro e não por prazer. E quando esse cliente for embora, o espólio será pequeno demais pra você se deleitar.

Hoje tenho os melhores clientes que poderia. E quando digo “não” para proposta de um prospect, estou dizendo “sim” pra qualidade que continuarei entregando para os que já estão comigo. E isso mostra que o sucesso pode ser medido de várias formas. E garanto, dinheiro não é o única métrica pra isto.

Recebi este texto de um colega publicitário que vale muito a pena ler. Boas risadas esperam por você!

Tenho muitos amigos – e até parentes – que são publicitários. E tenho me espantando com a popularidade dessa profissão entre os mais jovens. Para ajudar quem está pensando em se dedicar a essa profissão cheia de glamour, resolvi fazer um pequeno guia. Espero que seja útil.

Como se inserir no mercado de trabalho

Fácil: minta no currículo. Ninguém vai checar mesmo.

Incluir cursos no exterior é sempre bom. Especialmente em cidades modernas e cool como Berlim ou Copenhagen. Ponha lá: “assistente de produção no Stor Oksekod, na Dinamarca”. Ninguém precisa saber que é uma churrascaria.

Outra coisa que sempre funciona bem em currículos é incluir premiações. Publicitários adoram premiações, tanto que criaram milhares para distribuir entre eles mesmos.

Inclua algo como: “4º colocado do prêmio Golden Taroba na categoria ‘melhor folheto’ no 5º Publicity Awards de Itaperuna”. Sempre ajuda.

Pronto, consegui um estágio na agência. E agora?

O passo seguinte é achar um nome pra você.

Lembre-se que, da porta da agência pra dentro, você é um artista. E todo artista precisa de um nome adequado.

Nomes de publicitários se dividem em três categorias básicas.

A primeira são os nomes italianizados. Fica bonito e moderno. João vira “Gianni”, Luís vira “Luigi”, Lucicleide vira “Luce”.

A segunda categoria é a de nomes monossilábicos terminados em acento circunflexo ou “u”, como “Clô”, “Fô”, “Rê”, “Mô”, “Stê”, “Pê”, “Mu” ou “Du”.

A terceira são apelidos bem brasileiros e divertidos, como “Joca”, “Tutuca”, “Drica” ou “Zoza”.

Mas lembre-se: independentemente do nome que você escolher, o sobrenome precisa ser grande e insólito. Nada de “Silva” ou “Moreira”.

O nome ideal, portanto, seria algo como Du Fregolini, Clô Bierrenbach ou Joca Thompson.

Observe que, em todos eles, o primeiro nome tem uma pegada bem despojada, mas o sobrenome dá o tom grave e solene que o publicitário precisa e merece.

Vamos supor que seu nome seja Luis Castro. A partir de hoje, você é Luigi Castellari. Parabéns, Luigi!

Como me enturmar?

Mesmo que você ganhe 545 reais, a melhor idéia é investir uns 4 mil e comprar um abadá no bloco da agência no carnaval de Salvador. É lá que os melhores contatos são feitos.

O vocabulário

Não estranhe se, na primeira reunião, alguém te disser: “Luigi, vamos dar o start. Você tem o briefing do job? Então faça um c-call com o team do Du Fregolini, que fez o filme do papel higiênico Ralorrabo, e pergunte se o recall do cliente foi satisfatório.”

Fique calmo. Ninguém está entendendo nada mesmo. Você se acostuma.

A obsessão pelo making of

Todo publicitário adora um making of. Esse fenômeno é conhecido por “efeito Narciso”.

Lembre-se: para cada segundo de comercial filmado, a agência costuma rodar 30 minutos de making of.

O último comercial do desodorante Suvacol, dirigido por Du Fregolini, mereceu um DVD triplo com dezenas de entrevistas, análises e depoimentos. “Fregolini é um gênio”, disse Joca Thompson. “Considero este o Encouraçado Potemkin dos filmes de desodorante”.

Características de comportamento

Publicitários têm duas características básicas: são extremamente gregários e indecisos.

Isso explica o gigantesco número de reuniões de cinco horas com 15 pessoas em que não se decide nada.

A gênese de idéias e da criação publicitária

Em reuniões na agência, toda boa idéia, mesmo que venha do estagiário, é reivindicada pelo seu superior imediato, que é então reivindicada pelo superior deste, e assim por diante, até chegar ao dono da agência.

E toda idéia que dá errado, mesmo que venha do dono da agência, é colocada na conta de seu subalterno imediato, que passa para o seu subalterno, e assim por diante, até chegar ao estagiário, que é então demitido.

A injeção sazonal de modernidade

Fenômeno que costuma ocorrer nos meses de agosto e janeiro, quando o dono da agência ou o chefe de criação voltam de Nova York ou Paris, onde viram o Blue Man Group ou o La Fura Dels Baus pela 37ª vez, trazendo as últimas novidades em matéria de comportamento: “Fui ao Brooklyn e vi muita gente usando cueca por cima da calça, é a última tendência!”

O fenômeno é seguido, alguns meses depois, por uma enxurrada de comerciais estrelados por pessoas usando cueca por cima da calça, editoriais de moda com modelos usando cueca por cima da calça, e publicitários andando pela agência com cueca por cima da calça.

Pronto. Agora é com você. Boa sorte, Luigi!

Escrito por André Barcinski às 02h11

Fonte: http://andrebarcinski.folha.blog.uol.com.br/arch2011-02-27_2011-03-05.html